Caso IPREV/Banco Master: Quebra de sigilo desmente versão de JHC e confirma investigação contra o ex-prefeito
STF e Polícia Federal apuram rombo de R$ 117 milhões em recursos de servidores. Candidato ao governo havia negado envolvimento, mas MPF o aponta como responsável legal pela unidade gestora
JHC ex-prefeito de Maceió é investigado no caso IPREV/Banco Master / Foto: Reprodução A quebra de sigilo no inquérito que apura irregularidades na gestão de recursos do Instituto de Previdência de Maceió (IPREV) junto ao Banco Master trouxe uma reviravolta para a corrida eleitoral rumo ao governo de Alagoas. Documentos oficiais revelam que o ex-prefeito da capital, João Henrique Caldas, o JHC, é um dos alvos da investigação, contradizendo frontalmente a versão apresentada por ele mesmo ao longo de sua campanha.
A revelação foi trazida a público em primeira mão por seu adversário político e também candidato ao governo, Renan Filho, que utilizou suas redes sociais para divulgar o avanço das investigações.
O peso da contradição
Dias antes de o sigilo ser derrubado, JHC havia utilizado suas plataformas digitais para se distanciar do escândalo. Em um vídeo direcionado aos eleitores, o ex-prefeito foi categórico: "Maceió foi vítima do Master, não mandei investir, não sou investigado". Na ocasião, o candidato argumentou que o IPREV possuía autonomia financeira, eximindo-se de culpa pelas transações.
O surgimento de seu nome no inquérito coloca a declaração em xeque e levanta um questionamento inevitável no cenário político: o ex-prefeito desconhecia sua real situação jurídica perante as autoridades, ou omitiu deliberadamente a informação do eleitorado alagoano?
O rombo milionário e as indicações políticas
Conduzida sob a lupa do Supremo Tribunal Federal (STF) e da Polícia Federal (PF), a investigação debruça-se sobre perdas estimadas em R$ 117 milhões. O montante, oriundo da previdência dos servidores públicos municipais, foi aplicado em operações financeiras no Banco Master — frequentemente descritas nos bastidores como a aquisição de "títulos podres" — sem o rigoroso e necessário aval técnico.
A tese de que o Instituto atuava com total independência também esbarra nas decisões administrativas da própria gestão municipal. Foi JHC quem indicou Ronnie Motta para a presidência do IPREV. Informações recentes apontam que o ex-gestor do instituto não possuía a qualificação técnica exigida pelo mercado para gerir o vultoso patrimônio previdenciário de Maceió.
Agravando o cenário para o ex-prefeito, o Ministério Público Federal (MPF) já destacou que, do ponto de vista jurídico, JHC é o responsável legal pela unidade gestora do fundo IPREV/Maceió. Além dele, secretários e outros ex-integrantes do alto escalão de sua administração também figuram como alvos da operação.
Impactos na corrida eleitoral
O desdobramento do inquérito tem potencial para redesenhar a disputa pelo Palácio República dos Palmares. A pressão, que já cercava o caso devido à magnitude do valor dissipado, agora recai diretamente sobre a figura do ex-prefeito.
Com as novas peças do quebra-cabeça reveladas pela Justiça, a sociedade alagoana e, sobretudo, os servidores públicos de Maceió, passam a exigir explicações técnicas e detalhadas. O discurso de que o município foi um mero espectador ou "vítima" da instituição financeira exigirá provas contundentes para se sustentar diante do avanço das investigações federais.








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