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Delmiro Gouveia,28/10/2026

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Figuras esdrúxulas como Pavanato, Nikolas , Alfredo Gaspar, Marçal, Julia Zanatta com seu chicote, dentre outros, ajudaram na queda do bolsonarismo

O que parecia ser grandes ativos eleitorais, não passa de peças bizarras da extrema-direita que precisará fazer um rebranding pela derrocada do bolsonarismo agressivo; essa turma fez das eleições 2026 um espetáculo grotesco do retrocesso


Figuras esdrúxulas como Pavanato, Nikolas , Alfredo Gaspar, Marçal, Julia Zanatta com seu chicote, dentre outros, ajudaram na queda do bolsonarismo Bolsonarismo perde o Palácio do Planalto pelo extremismo de alguns atores políticos / Foto: Reprodução
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A derrota de Flávio Bolsonaro, abre uma discussão dentro da própria direita brasileira. O bolsonarismo demonstrou capacidade de mobilização e manteve uma base eleitoral expressiva, mas a disputa presidencial mostrou que conquistar a fidelidade de um grupo não é o mesmo que obter a maioria dos votos. E o que o povo brasileiro não aceita o extremismo político dessas figuras anômalas. 

A direita terá de discutir se pretende ampliar o diálogo com setores moderados ou permanecer concentrada em conflitos que reforçam a identidade dos apoiadores mais fiéis. O radicalismo de extrema-direita pode funcionar como combustível para a militância, mas o mesmo combustível, em excesso, pode dificultar a aproximação com quem não quer viver em campanha eleitoral durante os quatro anos de um mandato.

Figuras extremistas como Lucas Pavanato, Alfredo Gaspar, Nikolas Ferreira, Pablo Marçal, Julia Zanatta com seu chicote dentre outros, ajudaram na queda do bolsonarismo. Cada um seu papel, eles tem um grande eleitorado em seus territórios, mas geralmente suas atitudes alcançam amplitude nacional com ideias de cortes, anti-cotas, ideias antissociais, o que culmima em grande rejeição por todo o país. 

Nikolas Ferreira

Esse teve mais 3 milhôes de votos para deputado federal em Minas Gerais, mas quando tentou ir para o Nordeste, fazer vídeo comovente, o tiro foi fora, o vídeo teve grande alcance e ficou bizarro, muitas mentiras desmascaradas pelos parentes de quem participou da farsa. E o "pano preto" de fundo virou meme. Nos debates, Nikolas Ferreira fazia chacota dos adversários, chamando alguns agentes de "desempregados', essa atitude só mostrou que o político é infantil e despreparado. Síntese: se por um lado Nikolas tem milhões de votos em Minas Gerais, em outras regiões, ele retira votos, e também em milhões. 

Lucas Pavanato 

Quando falta argumento, sobra deboche, essa é a tática de Lucas Pavanato que descobriu uma fórmula eficiente para a política dos tempos digitais: provocar, constranger, rir da cara dos outros e transformar tudo em vídeo para alimentar as redes sociais. Com passagem pelo Movimento Brasil Livre (MBL), experiência como assessor político e posterior aproximação do bolsonarismo, construiu sua imagem pública apostando nos confrontos ideológicos e nos cortes rápidos que fazem sucesso entre quem prefere ver o adversário humilhado a assistir a um debate de verdade. É a política transformada em reality show, com direito a provocador, plateia e milhões de visualizações. O problema é que, por trás da performance de valentia, fica a pergunta incômoda: se a política serve para resolver os problemas da população, qual é exatamente a contribuição de quem parece mais interessado em ridicularizar pessoas do que em compreender suas dificuldades?

Quando o assunto é desemprego, sofrimento social ou divergência de opinião, rir de quem está em situação difícil não faz de ninguém um grande combatente ideológico. Faz apenas o deboche parecer maior do que a humanidade. Pavanato parece apostar na política do constrangimento: se não convencer pelo argumento, tenta vencer pelo ridículo; se não apresentar uma solução, entrega uma provocação; se encontrar alguém que pensa diferente, transforma a divergência em espetáculo. É uma estratégia conveniente para quem precisa de engajamento, mas bastante pobre para quem pretende representar cidadãos de verdade. Afinal, fazer graça com o desempregado é fácil quando não se está discutindo como gerar empregos; humilhar o adversário também é simples, quando ouvir exige mais esforço do que gravar um vídeo. No fim, a política vira palco, o cidadão vira figurante e o mandato corre o risco de se tornar apenas um estúdio de gravação. E fica a ironia: há políticos que usam a internet para apresentar ideias; outros parecem usá-la para provar que o deboche também pode conseguir votos — mesmo quando a dignidade fica fora do enquadramento.

Júlia Zanatta com seu chicote da extrema-direita 

A deputada Julia Zanatta transforma o debate público em um espetáculo grotesco de retrocesso, ostentando seu peculiar fetiche pelo chicote, como quem ostenta um troféu de autoritarismo. Em meio a um discurso impregnado de extremismo e provocação barata, ela canaliza uma sanha reacionária que busca desmantelar conquistas históricas, elegendo o fim das cotas sociais e raciais como sua grande cruzada moral. Para quem construiu a carreira sobre a estética da intimidação, a verdadeira ameaça nunca foi a desigualdade, mas sim qualquer avanço que garanta equidade a quem sempre foi marginalizado.

Com a empáfia de quem confunde violência verbal com coragem política, sua atuação parlamentar reduz problemas complexos a slogans inflamados para alimentar a bolha das redes sociais e da extrema-direita. O chicote, longe de ser um mero adereço pitoresco, serve como perfeita metáfora de sua agenda: um instrumento arcaico feito para punir, dividir e açoitar o progresso social do país. Ao marchar contra reparações históricas com a agressividade habitual, a parlamentar deixa evidente que seu único projeto real é perpetuar privilégios às custas do circo extremista e do esmagamento das minorias.

 Pablo Marçal 

Dentre as figuras da direita, Pablo Marçal consegue a proeza de ser o mais infantil e patético, conseguindo superar em maturidade até novatos como Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato. O sujeito, que insiste em se vender como o suprassumo da sabedoria e do "coaching" financeiro, provou na prática que sua capacidade estratégica é nula.Ele reuniu a militância para pular, vibrar e gravar vídeos eufóricos celebrando uma pretensa "virada" de Flávio Bolsonaro no segundo turno, caindo na gafe primária de esquecer que a contagem dos votos estava apenas em 15%. Obviamente, à medida que as urnas avançavam, a realidade bateu à porta: Lula retomou a liderança e sacramentou a vitória eleitoral, deixando o marqueteiro das redes sociais com cara de tacho e um registro gravado do seu fiasco analítico.

Para além do vexame no dia do pleito, a tal "mentoria de alto desempenho" do ex-coach só serviu para enterrar de vez as chances de seu aliado. Dizem que partiu dele a ideia bizarra de orientar Flávio Bolsaro a fazer sombra física em Lula durante o debate na TV, uma cena que beirou o ridículo e passou uma imagem de desespero e descontrole. Não satisfeito, Marçal ainda aconselhou a utilização do termo "9 dedos" para atacar o adversário, um golpe baixo capacitista que pegou pessimamente mal perante o eleitorado e deu munição para a campanha petista explorar a falta de respeito da oposição. A passagem de Marçal pela campanha provou apenas que os seus cursos de desenvolvimento pessoal não capacitam ninguém para a política real (😂😂😂).

Por fim, a dança dos micos e a soberba das urnas que culminou na derrocada do bolsonarismo, nas eleições de 2026 não admite um bode expiatório exclusivo, por mais que a sua linha de frente de agitadores digitais tenha feito por merecer o troféu de "como destruir uma campanha com sucesso". O fiasco eleitoral é o produto acabado de uma campanha anestesiada pela soberba de um candidato sem traquejo ou carisma, somado ao festival de bizarrices do seu ecossistema político. Isolar a culpa em Nikolas Ferreira seria uma generosidade injusta com o "Zero Um dos vídeos bizarros", que atravessou a disputa com a altivez aristocrática de quem imaginava Flávio Bolsonaro empossado. O eleitorado, contudo, fez o que a bolha ignora: pesou os programas, as alianças e o desastre pregresso, provando que nem mesmo o apadrinhamento hereditário é capaz de disfarçar um projeto vazio que mais descambavq para o extremismo.

O resultado do pleito deixou uma lição pedagógica que a extrema-direita insiste em ignorar: seguidor no Instagram não é cidadão votante, e a sua bolha engajada não representa o Brasil. O país recusou-se a entregar a gestão econômica aos estalos de chicote de Júlia Zanatta, a resolução da Saúde aos vídeos indignados com fundo preto e iluminação dramática do TikTok de Nikolas, e o futuro da Educação aos delírios motivacionais do coaching de Pablo Marçal e Lucas Pavanato. Escaldada pela travessia dos anos de Jair Bolsonaro no poder, a sociedade civil fincou o pé na democracia e lembrou ao Planalto que o país não é palco para influencers delitantes — despachando o circo da lacração com o carimbo do desdém popular.

A democracia resistiu e venceu o extremismo! O povo soberano deu sua digital às urnas, e a sabedoria popular incrível saiu vitoriosa.

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