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Delmiro Gouveia,16/10/2026

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FIM DA ESCALA 6X1: VITÓRIA DO GOVERNO LULA E DOS MOVIMENTOS DE ESQUERDA NO SENADO

Com 75 votos favoráveis e apenas um contrário, PEC aprovada em dois turnos fortalece uma das principais bandeiras trabalhistas do campo governista e abre caminho para uma jornada de 40 horas semanais, sem redução salarial


FIM DA ESCALA 6X1: VITÓRIA DO GOVERNO LULA E DOS MOVIMENTOS DE ESQUERDA NO SENADO Congresso Nacional aprova fim da escala 6x1 / Foto: Reprodução
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A aprovação do fim da escala 6x1 pelo Senado Federal, na quarta-feira (14), representa uma vitória política expressiva para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para os partidos governistas e para os movimentos sindicais e de esquerda que transformaram a redução da jornada de trabalho em uma de suas principais bandeiras. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 foi aprovada em dois turnos, por 75 votos favoráveis e apenas um contrário, em uma votação que reuniu apoio de diferentes correntes políticas. A medida segue para promulgação, já que o texto aprovado pelo Senado é o mesmo que passou pela Câmara dos Deputados.

O resultado coroa uma mobilização política e social que colocou no centro do debate nacional uma reivindicação histórica dos trabalhadores: trabalhar menos dias, ter mais tempo de descanso e preservar a remuneração. Para o governo Lula, a aprovação também tem peso político, pois permite associar sua atuação à defesa de direitos trabalhistas e à melhoria das condições de vida de milhões de brasileiros. Sindicatos, movimentos populares e organizações de esquerda tiveram papel importante na sustentação dessa pauta, que ganhou força nas ruas e nas redes sociais.


A votação também expôs as dificuldades da oposição para construir uma resistência capaz de barrar uma proposta de forte apelo popular. Embora parlamentares de diferentes partidos tenham apoiado a PEC, o governo teve papel central na articulação para acelerar sua análise. A liderança governista no Senado defendeu a votação, enquanto o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, viabilizou o calendário especial que permitiu a deliberação nos dois turnos na mesma noite. O episódio mostra como uma pauta trabalhista defendida historicamente pela esquerda conseguiu ultrapassar fronteiras partidárias e reunir ampla maioria parlamentar.
Pelo texto aprovado, a jornada semanal máxima será reduzida de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso remunerado e sem redução salarial. A transição prevê a adoção da jornada máxima de 42 horas semanais 60 dias após a promulgação e, depois de mais 12 meses, a redução para 40 horas. A mudança representa uma alteração relevante na organização do trabalho brasileiro, embora sua implementação também exija atenção aos impactos sobre empresas, especialmente pequenos negócios e setores que funcionam todos os dias.


Politicamente, a aprovação consolida uma conquista importante para o campo governista e para os movimentos que fizeram da pauta do descanso semanal uma bandeira nacional. Mais do que uma votação expressiva, o resultado demonstra que o debate sobre direitos sociais continua tendo força para mobilizar o Congresso e pressionar diferentes grupos políticos. Para o governo Lula e a esquerda, a decisão oferece um marco concreto para defender a agenda trabalhista; para os trabalhadores, a expectativa agora é que a mudança se traduza em mais tempo para a família, o lazer, os estudos e a saúde, sem perda de renda.

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