Mato-grossense Marina Cândia candidata ao senado não tem mais como esconder sua base bolsonarista após apoios de Flávio Bolsonaro, Fábio Costa e Cabo Bebebeto
O clã Caldas quer o engajamento, a militância e o voto da extrema-direita, mas parece que morrem de vergonha de carregar a etiqueta em público, e principalmente no interior; mas quem é o plot twist da direita?
Marina Candia, Cabo Bebeto e Fábio Costa / Foto: Reprodução A Camaleoa do Centro-Sul: Como Virar Bolsonarista sem Melar o Voto Sertanejo em uma Fachada Tucana e Banho de Loja Ideológico
Marina Cândia, a mato-grossense que decidiu tentar a sorte no Senado por Alagoas carregando o carimbo do PSDB, vem protagonizando um espetáculo de contorcionismo político digno de picadeiro. Para o eleitor da capital, ela ostenta a elegância moderada do "tucanato reformado"; para o eleitor do interior, tenta se passar despercebida.
O problema é que a maquiagem moderada derreteu na reta final da campanha. Ao posar sorridente ao lado de pesos-pesados da extrema-direita local como Fábio Costa (PP) e Cabo Bebeto (PL)— e ostentar sem pudor o aval público de Flávio Bolsonaro (PL) —, a candidata entregou o jogo: a fantasia de "terceira via" durou exatamente até o momento de recolher as bênçãos (e os votos) do bolsonarismo raiz.
Cabo Bebeto, Marina Cândia, Fábio Costa: Foto: Reprodução
A Matemática do Sertão e o Pavor do Lulismo
O desespero do QG de Marina em manter essa aliança sob o tapete tem motivo e endereço fixo: o Sertão alagoano. Em municípios onde Lula abriu as urnas em 2022 com lavadas de 70%, 80% e inacreditáveis 90% dos votos válidos, se declarar "fechada com o mito" é o equivalente eleitoral a pedir para ser despejada da disputa antes do meio-dia. A tática de esconder os padrinhos na poeira das estradas do interior revela a estratégia do grupo: vender ideologia na praia de Pajuçara e pregar pragmatismo e silêncio onde o lulismo reina absoluto. O eleitorado sertanejo, contudo, costuma ter memória muito afiada para cair no conto da tucana convertida de última hora.
O Clã JHC e o Esporte Nacional da Amnésia Conveniente
Essa coreografia ideológica não é um surto individual, mas a marca registrada do clã do ex-prefeito de Maceió, JHC, marido da candidata. Depois de surfar com gosto na onda verde-amarela para se reeleger em 2024 e jurar amor a Jair Bolsonaro na eleição de 2022, a família subitamente descobriu o charme da "moderação". O movimento de debandada do PL para o PSDB na janela partidária de 2026 — com direito à mãe de JHC, a Eudócia Caldas, desapegando do comando do PL Mulher estadual como quem troca de roupa —, foi um verdadeiro ato de malabarismo político. Afinal, quando os ventos da Justiça apertaram para o ex-presidente, a lealdade do grupo provou ter o prazo de validade de um mandato eleitoral.
Eudócia Caldas, Bolsonaro e JHC / Foto: Reprodução
Eudócia Caldas e Michele Bolsonaro / Foto: Reprodução
Eudócia Caldas e Jair Bolsonaro / Foto: Reprodução
A Síndrome do Bolsonarista de Banho Tomado
O que Marina Cândia e o grupo de JHC praticam é a clássica "síndrome do bolsonarista de banho tomado": querem o engajamento, a militância e o voto da extrema-direita, mas morrem de vergonha de carregar a etiqueta em público quando o terreno fica minado. A tentativa de higienizar o passado recente e vender uma imagem asséptica no interior do Estado tropeça na própria ganância eleitoral. Não dá para exigir o selo de pureza da direita radical para fechar alianças na capital e, ao mesmo tempo, fingir que nunca ouviu falar do PL quando se cruza a ponte rumo ao Agreste e ao Sertão.
A Conta que Não Fecha na Urna
Tratar o eleitor alagoano como detentor de amnésia seletiva é um cálculo de altíssimo risco. Ao tentar agradar ao clã Bolsonaro para garantir palanque e, simultaneamente, tentar não espantar o eleitorado lulista do interior, Marina Cândia corre o risco real de ficar sem ambos. No teatro político de Alagoas, onde a fotografia com o padrinho certo (ou errado) vale mais do que mil discursos de comício, a tentativa de esconder o fantasma da extrema-direita no armário falhou miseravelmente. Resta saber se o eleitorado vai aceitar a metamorfose ambulante ou se vai mandar a candidata de volta para o Mato Grosso no primeiro turno.
O público da direita está órfão de candidato ao Senado?
Não, e só tem um único candidato ao Senado que não esconde ser de direita, recebeu inclusive o Flávio Bolsonaro na capital alagoana, que é o Davi Davino (Republicanos).
O candidato adotou publicamente uma postura alinhada ao espectro político da direita. Em sua campanha para as eleições de 2026, ele e seus apoiadores têm reforçado essa identidade ideológica de forma explícita na busca pelo eleitorado conservador do estado. Ele também tem uma grande qualidade, não tem discursos bobos e inflamados de extrema-direita como Cabo Bebeto e Alfredo Gaspar, ele é moderado, jovem, muito inteligente e firme em suas convicções política, bem como em suas propostas. Ele é competitivo e pode ser o "plot twist" dentre os candidatos de direita e centro como Arthur Lira e a mato-grossense Maria Cândia. Especialistas avaliam que uma cadeira do senado continuará com decano Renan Calheiros (MDB), e a outra nessa linha mencionada.
Davi Davino candidato ao Senado por Alagoas / Foto: Reprodução
Por fim, o senado não é lugar para desfile de modas nem para pessoas inexperientes. Todos os citados na matéria tem experiências políticas, exceto a Marina Candia que nunca foi eletiva a nenhum cargo público. E o eleitor está atento a todos os movimentos, tanto é que, as últimas pesquisas mostram uma corrida muito acirrada.








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