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Delmiro Gouveia,20/09/2026

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JHC desafia a justiça eleitoral novamente prometendo cargo a Ronaldo Lessa o que é terminantemente proibido por lei

Com o candidato JHC o Código Eleitoral vira rascunho; ao Lessa foi prometido Presidência do Fecoep; Em desafio explícito à Justiça Eleitoral, candidato transforma o Estado em moeda de troca


JHC desafia a justiça eleitoral novamente prometendo cargo a Ronaldo Lessa o que é terminantemente proibido por lei Ronaldo Lessa e JHC em negociação de cargo público / Foto: Reprodução
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Alguém, por caridade, precisa avisar ao candidato JHC que o Código Eleitoral brasileiro não é um cardápio de restaurante onde se escolhe o que seguir, tampouco uma obra de ficção. Em um espetáculo de audácia que faria os caciques da República Velha parecerem estagiários, o candidato decidiu transformar sua campanha em um verdadeiro feirão de liquidação antecipada do Estado. A oferta relâmpago da vez? A presidência do Fundo Estadual de Combate e Erradicação da Pobreza (Fecoep). O felizardo comprador desse loteamento imaginário? Ronaldo Lessa.

Imaginário por dois motivos: o primeiro e óbvio — o candidato JHC está com campanha em derrocada, devido a fugas em debates e aumento da pressão no caso IPREV com declarações de Ronnie Motta. Além de um novo assunto — o escândalo do saque de R$ 2 milhões em espécie de empresa que presta serviços de iluminação pública à Prefeitura de Maceió. O segundo motivo, que mesmo remoto, subjetivamente, se o JHC ganhasse a eleição, é muito difícil para qualquer pessoa, inclusive aliados, acreditar na palavra dele. Devido às rasteiras que dá em próprios correligionários, como fez com o Lessa.

Há mais de dois milênios, em sua obra clássica A Política, Aristóteles já desenhava com precisão cirúrgica a figura que hoje sorri nos nossos palanques: o demagogo. Para o filósofo grego, a demagogia se instaura no exato momento em que as leis perdem sua soberania e dão lugar aos caprichos pessoais e à distribuição de favores. Aristóteles alertava que o demagogo corrompe a democracia ao substituir a ordem jurídica pelo loteamento do poder, comprando lealdades com as benesses do Estado para se manter no topo. Ao que tudo indica, JHC não leu A Política como uma advertência sobre os perigos da degradação democrática, mas como um prático manual de campanha. Ao fazer o vídeo com promessas de cargos ao Lessa, não só afronta as leis eleitorais, mas incorpora o puro manual da demagogia descria por Aristóteles.

Afinal, o que é o "Artigo 299 da Lei Eleitoral" para quem age como se tivesse imunidade diplomática contra o bom senso jurídico? A legislação é de uma clareza ofuscante: prometer polpudos cargos públicos em troca de apoio político ou votos é crime de corrupção eleitoral. No entanto, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) parece ser tratado como uma plateia VIP de um teatro de absurdos. Seria a Justiça Eleitoral uma mera espectadora desse balcão de negócios? O desprezo pelas regras do jogo, como diria o mestre grego, é o sintoma mais claro do demagogo que enxerga a res pública apenas como o seu quintal particular (modus operandi de JHC).

Mas se a afronta descarada à lei fornece o tom de denúncia, o papel de Ronaldo Lessa rebaixa a peça — que tinha tudo para ser uma tragédia grega — a uma comédia pastelão de gosto duvidoso. A pergunta que ecoa nos bastidores é: existe limite para a credulidade na política alagoana ou Lessa desenvolveu uma crônica Síndrome de Estocolmo Eleitoral? Ou estaria ele com dependência emocional na família sigla?

Esta é, pasmem, a segunda vez que Lessa escorrega na mesma casca de banana atirada por JHC nesta exata eleição. Há poucos meses, o experiente político rifou seu capital, rompeu alianças com o grupo governista onde era um dos protagonistas, e vestiu a camisa da chapa ostentando a certeza inabalável de que seria o candidato a vice-governador. O resultado prático? Tomou uma rasteira monumental aos 45 minutos do segundo tempo. Tentou o prêmio de consolação com uma vaga na chapa do Senado e levou outro puxão de tapete, recebeu a 2ª suplência como prêmio de consolação, até o contragimento o abalar, obrigando o veterano a renunciar. Sendo sumariamente enxotado para a arquibancada do processo eleitoral.

Agora, depois de ser varrido da chapa majoritária e feito de escada, Lessa ressurge no palanque. Lá está ele, sorrindo para os flashes, segurando orgulhosamente um "cheque pré-datado sem fundos e com assinatura borrada" de JHC que não pagou nem o marqueteiro de sua campanha de 2014. Dessa vez o prêmio de consolação prometido em vídeo, seria o comando do Fecoep (acredita Lessa!).

Enquanto a demagogia aristotélica triunfa e a lei eleitoral é tratada como papel de embrulho (ou higiênico já no cesto), resta ao eleitor assistir ao circo 🎪 de JHC e se perguntar: até quando a Justiça vai fingir que não vê a máquina pública ser leiloada à luz do dia? E quanto a Lessa... será que ele já está escolhendo a cor das cortinas de um gabinete que, até segunda ordem, só existe na terra do faz-de-conta em Alice no País das Maravilhas, ou nas fantasias de Bobby Generic do Fantástico Mundo de Bobby? — Lessa é veterano e sabe o ninho que está. 


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