JHC teria assinado ajuste de 212 milhões dias antes de renunciar; com empresa iluminação que sacou 2 milhões em espécie
Empresários da Ceilurb foram presos no fim da tarde dessa sexta-feira (18) no bairro Farol em Maceió
2 milhões apreendidos com funcionários de empresa de iluminação pública que presta servos a prefeitura de Maceió / Foto: Reprodução Publicidade
Maurício Leite Tenório Costa (gerente) e Leopoldo Del, ligados à Ceilurb, concessionária responsável pela iluminação pública de Maceió, foram presos na tarde de 18 de setembro após sacarem R$ 2 milhões em dinheiro vivo em uma agência bancária da capital alagoana. A apreensão joga luz sobre o histórico de repasses milionários da Prefeitura à empresa, que somam R$ 320,5 milhões nos últimos cinco anos e meio.
Operando o sistema de iluminação de Maceió desde 2022 sob a razão social Vasconcelos e Santos Ltda., a Ceilurb tornou-se o centro de um acordo bilionário recente. Em 1º de abril de 2026, apenas três dias antes de o então prefeito João Henrique Caldas (JHC) renunciar ao cargo, a gestão municipal assinou um Termo de Ajustamento de Gestão (TAG) no valor de R$ 212,2 milhões, referente a reajustes contratuais em atraso.
Homologado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-AL), o acordo previu o pagamento parcelado ao longo de cinco anos e deu à empresa prioridade absoluta no recebimento dos recursos da COSIP — a taxa de iluminação pública cobrada na conta de energia dos maceioenses. Como contrapartida, a concessionária abriu mão de cerca de R$ 80 milhões em juros e multas.
Avanço da arrecadação e repasses recentes
A COSIP tem registrado um crescimento expressivo: a arrecadação saltou de R$ 98,2 milhões em 2020 para uma projeção de R$ 200 milhões em 2026. Com a prioridade de caixa garantida pelo TAG, a Ceilurb recebeu R$ 52 milhões apenas este ano. O fluxo de caixa se manteve acelerado até a véspera das prisões: nos nove dias anteriores ao saque milionário, a Prefeitura repassou R$ 5 milhões à empresa e empenhou outros R$ 3,5 milhões para "obras realizadas".
Atuação interestadual sob suspeita
Além da iluminação convencional, a empresa lucra com decorações festivas em Maceió, como a árvore de Natal gigante. Esse modelo de negócios tem sido replicado pelo grupo em outras capitais, onde também enfrenta questionamentos:
• Belém (PA): Contrato de R$ 20,2 milhões para a decoração do Círio de Nazaré e do Natal de 2025.
• Aracaju (SE): Contrato de R$ 10 milhões para o programa "Natal Iluminado" de 2024.
Até o momento, a Prefeitura de Maceió e a Ceilurb não se manifestaram sobre as prisões ou sobre os contratos.
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