Dancinhas no reels e vazios na gestão: O custo político do "Prefeito TikTok" que está caindo na visão do eleitor
Alguns prefeitos transformam suas rotinas em espetáculos digitais diários, cidades enfrentam gargalos históricos; Quando a dancinha do Reels não se traduz em melhorias na porta de casa, o clique do like corre o risco de virar um voto de protesto na urna;
Pela ordem João Vamos ex-prefeito de Recife e JHC ex-prefeito de Maceió / Foto: Reprodução A cena tornou-se corriqueira: um gestor público grava um vídeo curto, faz um "passinho", muda a cor do cabelo ou entra na trend da semana no TikTok para anunciar uma intervenção urbana. À primeira vista, a estratégia busca aproximar o mandato do público jovem e humanizar a figura do governante. No entanto, o avanço desse estilo de comunicação levanta um questionamento inevitável entre os eleitores: o engajamento nas redes sociais reflete a eficiência real do serviço público?
A percepção de que o tempo investido na criação de conteúdo digital supera a dedicação aos projetos estruturantes começa a gerar desgaste político. Principalmente quando já exageros e fantasias, e a população começa perceber que está sendo enganada.
Mapeamento de Fricções: Marketing Digital vs. Realidade Urbana
Para ilustrar o descompasso entre a narrativa das redes e a gestão cotidiana, reunimos os principais gargalos e pontos de tensão observados nas administrações citadas:
Maceió (AL) – Promessas de Grande Porte e Serviços Básicos
O Projeto do Salgadinho: A obra de recuperação do Riacho do Salgadinho, orçada em dezenas de milhões de reais, é frequentemente utilizada como vitrine nas redes. Contudo, a população ainda convive com relatos de poluição e odores na região.
Coleta de Lixo e Terceirizados: Registros de paralisações de trabalhadores terceirizados nos serviços gerais e instabilidades na coleta de resíduos sólidos nos meses de meados do ano contrastam com a imagem de eficiência divulgada na internet.
Fundos de Previdência e Liberdade de Imprensa: O investimento de recursos do instituto de previdência municipal (IPREV) em títulos do Banco Master gerou questionamentos de veículos de comunicação. A resposta do partido do ex-prefeito JHC, com dezenas de ações judiciais movidas contra jornalistas, abriu um debate sobre transparência e acesso à informação. Associações de jornalistas e comunicadores têm criticado duramente a postura, apontando que as ações na Justiça configuram uma estratégia de intimidação e tentativa de silenciamento contra quem cobra transparência pública.
Prefeitura de Maceió recorre a empréstimos:
JHC quando saiu da prefeitura por ter reiniciado ao cargo, disse que as contas estavam em dias, no entanto, poucos meses após sua saída a capital alagoana enfrentou uma severa crise: problemas na coleta de lixo, mobilizações de funcionários terceirizados de serviços gerais que não recebem seus salários em dias devido ao atrasado da prefeitura com as empresas terceirizadas.
Recife (PE) – Conexão Jovem e Oscilação em Pesquisas:
Mudanças de Visual e Linguagem Pop: A aposta em tendências da internet para construir uma imagem descontraída garantiu alta visibilidade digital ao prefeito João Campos.
Entrega x Percepção Eleitoral: Apesar do alcance nas plataformas digitais, críticos apontam desempenho aquém do esperado em problemas crônicos da capital pernambucana, o que se reflete em oscilações e quedas em levantamentos de intenção de voto para o governo estadual.
O Algoritmo Consegue Substituir o Feijão com Arroz?
A utilização ostensiva das redes por figuras públicas divide a opinião do eleitorado:
Até que ponto a comunicação digital é prestação de contas ou mero entretenimento?
Quando o foco excessivo no engajamento passa a ser interpretado como distração em relação às tarefas administrativas diárias?
Por fim, o desgaste do modelo "prefeito TikTok" sugere que o eleitorado, embora consuma o conteúdo descontraído, prioriza resultados concretos no transporte, na saúde e na limpeza urbana. Quando a dancinha do reels não se traduz em melhorias na porta de casa, o clique do like corre o risco de virar um voto de protesto na urna. O engajamento não é ruim, o que prejudica são os excessos. É muito rebolado e pouco rendimento.
Por Redação
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