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Delmiro Gouveia,17/09/2026

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Ronaldo Lessa quebra o silêncio e diz que JHC não cumpriu o acordo

Lessa deixou o grupo gorvernista onde era um dos protagonistas para levar rasteira notoriamente certa pelos modus operandi do clã Caldas; e agora vira apenas um espectador de luxo nas eleições de 2026


Ronaldo Lessa quebra o silêncio e diz que JHC não cumpriu o acordo
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Se a política alagoana fosse uma série de TV, o gênero seria, sem dúvida, comédia de erros — pelo menos para Ronaldo Lessa (PDT). O atual vice-governador tentou dar um salto duplo carpado na chapa do candidato ao governo João Henrique Caldas, o JHC (PSDB), mas pelo visto esqueceu de combinar com a gravidade. Resultado? Aterrissou de cara no chão e está oficialmente fora do pleito. Certamente o veterano não quis acreditar na máxima que ecoa em toda Alagoas: "o clã Caldas não é bons para cumprir acordos", e resolveu pagar para ver 👀.

A trama tucana em Alagoas é digna de uma legítima capitania hereditária: Marina Cândia, esposa de JHC, concorre ao Senado. Na primeira suplência, confortavelmente instalada no camarote familiar, está Eudócia Caldas, a mãe de JHC. Lessa, que ocupava a modesta segunda suplência, renunciou ao posto no início do mês após receber a promessa de que JHC rebaixaria a própria mãe para lhe entregar o cobiçado assento número um.

A reviravolta? O prazo de mudanças nas chapas acaba nesta segunda-feira (14/9), a mãe não saiu da cadeira, e Lessa ficou a ver navios.

Em um desabafo feito ao Portal Metrópoles, Lessa revelou a justificativa criativa de JHC para descumprir o acordo: a famosa carta da "insegurança jurídica".

“Ele alegou que a mudança daria insegurança jurídica à candidatura de Marina. Eu tenho todos os pareceres de juristas e advogados ao meu favor, mas essa foi a justificativa dele. Isso havia sido combinado e na hora não quis fazer a troca”, declarou o pedetista.

No dialeto do xadrez político, "insegurança jurídica" parece ter sido apenas um eufemismo cortês para "mamãe Eudócia não querer largar o poder", e diga-se de passagem, ela poder ser a senadora, caso JHC ganhe e dê algum cargo a esposa. Subjuntivo apenas, pois a corrida está muito difícil do tucano vencer.

Trata-se do segundo grande "toco" eleitoral que Lessa leva do aliado nesta temporada. Vale lembrar que o pedetista chutou o balde, rompeu com o governador Paulo Dantas (MDB) e com o grupo do cacique Renan Calheiros (MDB) para se jogar nos braços de JHC. A promessa lá atrás, segundo o próprio contou ao Metrópoles em julho, era a cadeira de vice-governador. Na hora de fechar a conta, JHC o trocou pela ex-prefeita de Arapiraca, Célia Rocha (PSDB), empurrando Lessa para o prêmio de consolação no Senado.

Agora, sem vice, sem primeira suplência e sem mandato à vista, Lessa virou apenas um espectador de luxo da eleição. Para tampar o buraco deixado por sua renúncia estratégica que deu errado, o PDT não perdeu tempo e oficializou seu novo substituto: Jurandir Boia, presidente de honra da sigla, que assume a segunda suplência da ex-primeira-dama de Maceió já ciente de que, no ninho tucano, as vagas VIPs são restritas ao álbum de família.

No "cassino dos caldas" ou no "jogo político dos caldas", os dois crupiês, parecem ter uma "banca viciada" as cartas ou a bolinha cai onde eles querem, o resultado só pode favorecer a eles mesmo. E assim mais um dia normal na "nova-velha" política de JHC e João Caldas. E saindo do mundo das ilusões, onde Lessa acostumado a ganhar — dessa vez sai derrotado. 

Por: Redação com informações parciais de Metrópoles 

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