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Delmiro Gouveia,21/08/2026

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O Demagogo das redes sociais e as Sombras de Maceió: Um Conto de Platão no Século XXI

Maceió virou a pólis perfeita ou estamos apenas presos na caverna, assistindo a um caríssimo espetáculo de sombras projetado no Instagram?


O Demagogo das redes sociais e as Sombras de Maceió: Um Conto de Platão no Século XXI Imagem ilustrativa / Reprodução
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Se o filósofo grego Platão descesse de sua Atenas antiga, para dar uma volta na orla da capital alagoana, talvez ele não precisasse reescrever "A República". A cartilha da tirania e da corrupção da democracia, descrita por ele há milênios, parece ter ganhado uma luxuosa e moderna reedição com capa dura e filtro de rede social. A grande questão que ecoa (ou deveria ecoar) nas ruas é: seria JHC um tirano da política alagoana disfarçado de menino prodígio? Ou um novo Collor da era digital? Bem, são apenas perguntas ...

Para Platão, o tirano não nasce com chifres e tridente — ele surge como um líder demagogo. Aquele que sorri, seduz, promete maravilhas, trai a confiança do povo e, no fim, usa a máquina pública em benefício próprio, escravizado por sua própria vaidade. E convenhamos, que vaidade! 

O multimilionário casal JHC e Marina Candia somam mais R$ 49 milhões em bens, informado a justiça eleitoral, isso é uma grande fortuna. Ele seria Prefeito de Maceió até o fim de 2028, renunciou para tentar dar o passo maior que a pena, e detalhe: toda a família junta, a esposa candidata ao Senado, a mãe primeira suplente. Será que tudo isso em prol de um projeto político familiar? — Bem, eles dizem que é para ajudar o povo. Será?

Vamos analisar as ilusões estruturais de Maceió:

Vejamos, por exemplo, o milagre do "Renascimento do Salgadinho". Uma obra vendida com um marketing tão espetacular, que faria o Cirque du Soleil parecer uma trupe de amadores. O custo do ingresso para esse show? Módicos R$ 76 milhões!  O resultado? O riacho continua exalando o mesmo perfume putrefato de sempre. Onde afinal, ocorreu esse "renascimento"? Nas águas poluídas ou nas contas das agências de publicidade? Ou somente no Instagram de João Henrique Caldas?

E o que dizer das grandes obras de infraestrutura que pipocam pelas redes sociais como se fossem o triunfo absoluto da gestão municipal? É formidável como o prefeito se veste com a capa de "grande construtor". Mas espere um minuto... essas obras não são o resultado do acordo de compensação da Braskem? Transformar a tragédia histórica do afundamento de bairros inteiros — e a dor de milhares de famílias desabrigadas — em cartão-postal e vitrine de prefeitura, não seria um toque de mestre da insensibilidade? É a alquimia perfeita da velha política: transformar o desastre alheio em palanque eleitoral.

Mas a genialidade administrativa não para por aí. Quem poderia esquecer do brilhante caso do IPREV? Foi o próprio JHC quem indicou Ronie Motta para a gestão do instituto. E o que o gestor fez? Resolveu brincar de lobo de Wall Street comprando títulos podres do Banco Master. Quem não adora um bom investimento de altíssimo risco quando o dinheiro é da aposentadoria dos outros, não é mesmo Ronnie e JHC?

E enquanto os milhões voam para obras de vitrine e investimentos duvidosos, o básico agoniza. Como explicar o imbróglio da falta de pagamento do recolhimento de lixo, escancarado na gestão de Rodrigo Cunha? O prefeito não havia garantido aos quatro ventos que as contas estavam religiosamente em dia? Será que "contas em dia" é um novo conceito filosófico que exclui boletos de serviços essenciais?

O filósofo Platão advertia com clareza, sobre a natureza traiçoeira da disputa pelo poder, e sobre como a tirania se alimenta da ilusão. Aos que se encantam com o espetáculo digital e com os sorrisos ensaiados de JHC, fica a lembrança de uma das reflexões mais cruéis do pensamento político: "Muitos odeiam a tirania, apenas para que possam estabelecer a sua".

Por fim, entre discursos encantadores e uma prática que flerta com o descaso, e a maquiagem contábil que recorre a mais de meio bilhão em empréstimo, a gestão de  Rodrigo Cunha e ex-gestão de JHC nos obriga a perguntar: estamos vivendo uma democracia plena ou apenas patrocinando um demagogo que confunde a prefeitura com um estúdio de gravação? Que transforma um Instagram, tal qual Alice no País das Maravilhas? A resposta, ao que parece, está boiando no Riacho do Salgadinho. Na perca significativa de 117 milhões dos aposentados da capital, no descaso com uma simples tarefa de um município que é o recolhimento do lixo.  Com a palavra João Henrique Caldas o JHC!


Redação Portal Fluxo Alagoas

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