• Delmiro Gouveia, 29/05/2026
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Jornalista Bleine Oliveira  foi processada por JHC sobre matéria do investimento de 117 milhões do IPREV no Banco Master

Outros veículos de imprensa também foram processados


Jornalista Bleine Oliveira  foi processada por JHC sobre matéria do investimento de 117 milhões do IPREV no Banco Master Jornalista Bleine Oliveira, a esquerda disse que está sendo processada por JHC a direita, sobre matéria que ela fala do IPREV e Banco Master / Foto 📷: Reprodução
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O ex-prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), moveu uma série de ações judiciais contra jornalistas e veículos de imprensa que associaram seu nome ao caso envolvendo o Banco Master

Os principais detalhes da ofensiva jurídica incluem:

• Motivo dos Processos: As ações foram motivadas pela divulgação de reportagens e comentários sobre o investimento de cerca de R$ 117 milhões do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (IPREV) no Banco Master.

• Ações contra a Imprensa: Em um dos casos, a rádio Jovem Pan News Alagoas e a jornalista Bleine Oliveira foram condenadas a retirar matérias do ar e a pagar indenização de R$ 10 mil por danos morais por citarem o prefeito no escândalo. Outros veículos locais e perfis de redes sociais, como o grupo Folha de Alagoas e a Bancada Negra de Alagoas, também foram alvo de processos e pedidos de remoção de conteúdo.

• Posição da Justiça: Em decisões de primeira instância, a Justiça alagoana tem determinado a exclusão de publicações que relacionam o ex-prefeito aos aportes milionários. 

O caso envolve apurações sobre a aplicação desses recursos previdenciários municipais no banco que se encontra em processo de liquidação. Devido à repercussão do caso e às medidas legais, associações de classe e profissionais da imprensa têm debatido os limites entre a liberdade de imprensa e as ações judiciais para silenciar críticas.

Qual a ligação do IPREV com o Banco Master?

O Instituto de Previdência dos Servidores do Município de Maceió (IPREV) realizou aportes no Banco Master que totalizaram cerca de R$ 117 milhões. Esse valor integrava os recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensionistas do município. 

O caso envolveu as seguintes situações:

• Liquidação do Banco: Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master.

• Investigação: A aplicação dos recursos está sob investigação policial e legislativa, incluindo apurações da Polícia Federal (Operação Rebote) sobre suposta influência de consultorias e irregularidades nas autorizações do conselho previdenciário.

Operação Rebote da Polícia Federal

A Operação Rebote da Polícia Federal foi deflagrada em 2023 para apurar fraudes e rombos bilionários em fundos de previdência municipal em várias cidades do Brasil . Em Maceió, o assunto voltou a ganhar grande repercussão quando foi revelado que uma das empresas investigadas nessa operação atuou como consultora do IPREV (Instituto de Previdência dos Servidores Públicos). 

Os principais desdobramentos e fatos sobre o caso envolvem:

• A Consultoria Investigada: A empresa Crédito & Mercado Gestão de Valores Mobiliários Ltda., alvo da Operação Rebote da PF, foi contratada sem licitação pelo IPREV de Maceió em 2022 para prestar assessoria de investimentos e análise do mercado financeiro.

• Investimentos Milionários: Com a orientação da consultoria, o IPREV aplicou R$ 117 milhões em letras financeiras do Banco Master, operação que levantou suspeitas devido ao alto risco.

• Denúncias e Investigações: Os investimentos do instituto geraram críticas e denúncias na Câmara de Vereadores de Maceió e no Senado. O caso foi levado ao Ministério Público Estadual para apurar supostas irregularidades nas autorizações e na aplicação de recursos dos servidores municipais.

• Posicionamento Oficial: As informações sobre o caso podem ser acompanhadas diretamente pelos canais oficiais da Polícia Federal.

• Condenações: A Justiça Federal condenou o ex-CEO da Crédito e Mercado, Renan Calamia, por gestão temerária devido a aplicações irregulares sugeridas para institutos de previdência em outras cidades.

A Justiça Federal de São Paulo condenou o CEO da consultoria Crédito e Mercado, Renan Calamia, por gestão temerária envolvendo investimentos do Iprem, instituto de previdência de Santo Antônio de Posse, no interior paulista.

Segundo a sentença de 9 de dezembro de 2025, Calamia sugeriu aportes ilegais do Iprem no fundo de investimento multimercado Horus Vetor em 2017, ignorando restrições regulatórias e ausência de parecer independente.

A empresa de consultoria Crédito & Mercado Gestão de Valores Mobiliários Ltda.,  não só fez recomendações suspeitas no IPREV em Maceió, conforme condenações,  pode-se verificar que a empresa é contumaz nessa prática.



Censura à liberdade de Imprensa

Qualquer ato de censura prévia viola diretamente a Constituição Federal de 1988 e a consolidação do Estado Democrático de Direito no Brasil. 

A liberdade de imprensa e de expressão são garantias fundamentais protegidas de forma absoluta contra o controle estatal preventivo. Eventuais excessos ou informações comprovadamente falsas devem ser tratados por meio de responsabilidade civil e penal posterior, e nunca pelo bloqueio antecipado do conteúdo.

O Contexto Histórico e Legal no Brasil

• A Constituição de 1988: O Artigo 5º, inciso IX, estabelece que a manifestação da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação é livre, independentemente de censura ou licença. O Artigo 220 reforça que nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística.

• Fim da Lei de Imprensa (ADPF 130): Em abril de 2009, o Supremo Tribunal Federal (STF) revogou a antiga Lei de Imprensa de 1967 (criada no regime militar), declarando-a incompatível com a democracia por prever mecanismos de censura e punições desproporcionais.

• Jurisprudência Recente: Tribunais superiores como o STF e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) têm reafirmado sistematicamente o caráter excepcional da intervenção estatal na imprensa. Decisões recentes barram tentativas de remoção de conteúdos ou críticas voltadas a agentes públicos. 

Mecanismos Modernos que Podem Configurar Censura

Embora a censura institucionalizada (como a praticada na ditadura militar) não exista formalmente, a censura à imprensa pode se manifestar de formas indiretas e sofisticadas: 

Memorial da Resistência

• Censura Judicial: Decisões liminares que determinam a retirada imediata de reportagens ou proíbem veículos de citar determinados nomes ou investigações antes do julgamento final do mérito.

• Assédio Judicial (Lawfare): O uso coordenado de múltiplos processos judiciais de indenização contra um mesmo jornalista ou veículo. O objetivo é asfixiar financeiramente o profissional e gerar o "efeito resfriamento" (autocensura por medo de falência).

• Bloqueio de Plataformas e Perfis: Decisões que suspendem canais inteiros de comunicação ou perfis de jornalistas em redes sociais, afetando tanto o conteúdo investigado quanto publicações futuras legítimas. 

Por Redação com complicações parciais de ASCOM Polícia Federal, Jornalista Bleine Oliveira e arquivos STF
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